Agricultura familiar e produção orgânica: tudo a ver


Há temas e oportunidades no Brasil que o tempo engole e não expele nem em forma de detritos. Ameaça assim implodir ou cair de podre.
Mesmo sendo as matérias orgânicas benéficas à agricultura, creio que em certas situações o melhor seria transformá-las em vitaminas capazes de fortificar o tecido social do país.
Embora a Confederação Nacional da Agropecuária (CNA) duvide, o último Censo Agropecuário do IBGE registra a existência de 4,4 milhões de propriedades agrícolas no país com as características da agricultura familiar. Em 80 milhões de hectares, representam 24% da área ocupada com estabelecimentos agropecuários.
Se formos adiante, veremos que delas sai grande parte da produção brasileira de alimentos como mandioca, feijão, milho, arroz, café, leite, frutas e hortaliças.
Depois que na década de 1990 floresceu como ideologia, o consumo e a produção brasileira de alimentos orgânicos somente engatinhou. São fartos os simpósios, feiras, programas e boas intenções; exíguos o mercado interno, insumos para a produção e clareza de regulamentação.
É verdade que duas décadas serviram para aumentar a presença de produtos orgânicos em lojas e supermercados. Apenas em regiões de alto poder aquisitivo.
O mesmo não acontece em diversos países. Segundo a Federação Internacional de Movimentos para a Agricultura Orgânica (IFOAM, na sigla em inglês), em 2010, o plantio orgânico era praticado por 1,6 milhão de agricultores em 37 milhões de hectares e gerava um mercado de US$ 59 bilhões de alimentos e bebidas.
São poucos os empreendedores brasileiros que têm vida longa nesse caminho. Mesmo grandes empresas interessadas em diversificar seus negócios acabam desistindo. Faltam-lhes insumos, tecnologia, regularidade de fornecimento e padrões de qualidade.
O desenvolvimento de um projeto integrado das agriculturas orgânica e familiar é óbvio. Muito se fala dele e pouco se faz. Fica restrito ao plano das ideias e de tímidas intervenções governamentais.
Aproveitando a oportunidade, na Conferência Rio+20 será anunciada a Política Nacional da Agricultura Orgânica e Agroecológica com as propostas de sempre: dinheiro, crédito, apoio e formação técnica.
Se não se estruturar e integrar cada elo da cadeia, desde o uso de avançadas tecnologias de produção orgânica já existentes até a garantia de comercialização, será pouco.
Preocupam-me programas com rótulos muito longos. Parecem já dizer o quanto demorarão em não serem implementados.

Fonte: Rui Daher
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