Do analógico ao digital, criar é o que interessa


Criar é o caminho para as radicais (e urgentes!) transformações na educação. Criação analógica e criação digital. Exemplo disso é o trabalho dos meninos do projeto Pelourinho Digital, em Salvador. Em debate, em Paraty, na Virada Digital, a cultura digital no Brasil e no mundo.

Minha última coluna, mês passado, tratava do tema da criação científica por parte de jovens e das necessárias – e urgentes – transformações na educação. O tema rendeu alguns comentários e gostaria de usá-los para abrir esse meu escrito de hoje sobre as criações digitais. Parto, assim, das criações analógicas, aquelas feitas com materiais concretos, para chegar ao trabalho com as tecnologias digitais, que ganham espaço no mundo contemporâneo.

Tenho insistido na necessidade de discutirmos mais enfaticamente o ensino das ciências a partir do desenvolvimento de projetos que façam sentido para a meninada. As teorias científicas modernas são mais do que importantes, mas, o que quero enfatizar, é que não nos interessa fazer a juventude decorar meia dúzia de fórmulas se ela não compreender o significado de cada uma das peças dessa engrenagem chamada conhecimento humano e interpretação da natureza. Em última instância, o que importa é compreender que uma formula é a representação matemática de um modelo de fenômeno. Ou pelo menos uma tentativa disso!
Tão logo o artigo foi publicado e replicado, recebi comentários, um deles o do arquiteto e colega Paulo Ormindo, professor da UFBA e presidente do Instituto dos Arquitetos da Bahia. Paulo me dizia que seu pai – o intelectual baiano Thales de Azevedo – insistia que toda criança deveria fazer seu próprio brinquedo. E ele não ficou apenas no discurso, me diz Paulo Ormindo: “encomendou no interior uma completa mesa de carpinteiro para nós fazermos nossos brinquedos. Nela eu fiz meus primeiros móveis modernistas. Meus irmãos Thales Filho e Firmo fizeram carrinhos de rolimã para eles e colegas e até um kart. Meu irmão caçula, José Roberto, (um executivo) que mora nos Estados Unidos há 30 anos, tem em seubasement uma completa marcenaria onde ele faz esquadrias e móveis…”.
Pois eu também já fiz muito carrinho de rolimã e lembro-me da pequena oficina atrás da porta do meu quarto, que me permitia fazer minhas artimanhas e bugigangas.
É esta habilidade de construir coisas – do fazer –, que não se distingue do pensar que Mathew Crawford aborda no livro “The Case for working with your hands”, onde destaca a importância de se recuperar a habilidade de trabalhar com as mãos.
Destes trabalhos manuais acredito que podemos passar para as criações digitais, num pulo. Evidente que estas últimas são de natureza diferente, mas guardam entre si muito do que tenho sempre dito: são estimuladoras do criar. Criar em vez de somente reproduzir.
Penso ser importante destacar o recente trabalho da fotógrafa paulista/baiana Isabel Gouveia na condução da Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia de Salvador. Sou certo de que esse é apenas um pequeníssimo exemplo do que acontece por esse Brasil e pelo mundo. Foi aberta na semana passada a exposiçãoToque para mover os sentidos, com instalações interativas, realizadas a partir de oficinas com os jovens do projeto Pelourinho Digital. Os temas foram acessibilidade, meio ambiente, arte colaborativa e processos poéticos permeados pelas tecnologias digitais.

Expopsicao Oi Kabum, em Salvador

O conjunto é muito interessante, mas quero aqui destacar o videogame Sem Limites, criado por Jadilson Machado e Isabela Cristina. Eles programaram computadores, rodando em software livre, gravaram vídeos e criaram algo muito bacana. Para jogar, sentamos em uma cadeira de rodas e nos movimentamos por imagens das ruas (reais) da nossa pobre e abandonada Salvador. Imaginem o sofrimento de um cadeirante para superar todos os obstáculos dos inúmeros buracos dos passeios do Terminal da França (passeios é o nome que se dá, aqui na Bahia, às calçadas aí do Sul). Pois o tal jogador-cadeirante vai tentando superar todos os obstáculos para chegar ao seu objetivo e, na maioria das vezes, não consegue, seja pela dificuldade do jogo, seja pela falta de acessibilidades de nossas cidades. De um lado, a bela criação/programação da turma jovem. De outro, as dificuldades dos cadeirantes em se locomoverem nas cidades que pouco favorecem a mobilidade.
Outro resultado daquele trabalho foi a criação coletiva de sites para projetos e pessoas que são a marca da nossa Bahia, e do Pelourinho particularmente, e que ainda não estavam presentes no ciberespaço. Graças ao trabalho desses jovens já caíram na rede a Associação de Mamulengos da Bahia, o genial criador de instrumentos musicais Bira Reis, a maga dos cabelos e da cultura afro Nega Jhô e o grupo de Rap Nova Saga, integrado por moradores do Pelourinho.
Do Pelourinho damos outro pulo, desta vez para a Virada Digital, que está acontecendo desde hoje (sexta feira, 11 de maio) em Paraty/Rio de Janeiro. Durante os três dias da Virada Digital, estarão acontecendo palestras, debates, oficinas e intervenções sobre a cultura digital, passando pela discussão sobre a Hackers Clubes, Ciência de Garagem, TV Digital, Economia Solidária e Software Livre, entre tantos outro temas.
Juntando todas essas coisas, o que vamos encontrar em Paraty é uma mostra das possibilidades de integração entre os trabalhos manuais com os digitais, mostrando-nos que, de fato, não é uma coisa no lugar da outra, mas um conjunto de ações articuladas e articuladoras que podem fazer a diferença se, de fato, queremos construir um Brasil onde todos tenham oportunidades de criar. Criar com as mesmas mãos e imaginação que além de manipular a madeira dos carrinhos de rolimã, manipulam os dispositivos digitais como fonte e princípio para a criação.
Podemos assim, utilizando potencialmente os dispositivos digitais, para a criação em diversos âmbitos (políticos, sociais, educacionais …), pensar em uma cidadania plena. Fora isso, estaremos apenas brincando de formar cidadãos. Estaremos formando apenas mais consumidores que nem mesmo vão compreender o que estão consumindo.
Fonte:  Nelson Pretto

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