As puxadas de tapete corporativas mais comuns


ESTUDO COM 400 GESTORES BRASILEIROS MOSTRA QUAIS SÃO AS PUXADAS DE TAPETE MAIS COMUNS E AQUELAS QUE MAIS DOEM NOS PROFISSIONAIS BRASILEIROS. SAIBA COMO SE DEFENDER DELAS

Pessoa estressada
São Paulo – Trabalhar em equipe e de forma transparente são comportamentos cada vez mais cobrados dentro das organizações. Mesmo assim, os golpes baixos e as puxadas de tapete continuam a ocorrer em relacionamentos profissionais. De acordo com uma pesquisa com 400 gestores realizada em agosto pela Produtive, empresa de recolocação e planejamento de carreira, descobrir que um colega confiável fala mal de você é o tipo de jogo sujo mais comum no ambiente de trabalho, tendo sido vivenciado por 51% dos entrevistados.
Quase tão comum é a falta de reconhecimento por parte do chefe. Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados já estiveram diante da situação em que fazem tudo certinho mas o chefe não dá o devido crédito, assumindo toda a fama pelo resultado.
Em terceiro lugar na lista de puxadas de tapete ficou o roubo de ideias entre colegas. É a situação na qual um colega apresenta para a chefia uma ideia como se fosse dele.
Uma trapaça típica do profissional desatualizado que acredita que roubar ideias seja uma ferramenta de competição. No mundo corporativo existe uma disputa de poder constante, o que leva algumas pessoas a crer que abusar de atitudes antiéticas em prol do próprio sucesso é um comportamento aceitável. “Tal ideia é ultrapassada e está ligada à concepção de que o mundo é dos espertos”, diz Bernardo Entschev, presidente da De Bernt Entschev, consultoria de RH, de São Paulo.
Os motivos que levam a essa conduta variam da insegurança à desonestidade, passando pela leviandade dos envolvidos. Os golpes podem vir de colegas competitivos e inseguros ou de chefes arrogantes. “Alguns gestores acham que somente eles podem aparecer, atingir resultados e propor ideias”, afirma Bernardo. Podem ser apenas mal-entendidos ou ações intencionalmente vis. A pesquisa também avaliou quais são as puxadas de tapete consideradas mais graves.
A campeã nesse quesito é ser demitido para que o chefe coloque uma pessoa da confiança dele no lugar. Esse tipo de politicagem desleal ainda ocorre nas organizações, apesar de toda a evolução na gestão corporativa.
Em geral, isso ocorre quando um gestor inseguro ou desleal prefere ter a seu lado alguém que possa controlar, ou quando deseja deliberadamente beneficiar um amigo. A insegurança do chefe também aparece como estopim para uma traição.
Quando o funcionário começa a apresentar metas elevadas, o chefe, no lugar de ficar satisfeito, pode se sentir ameaçado. Nesse momento, surgem outras formas de puxadas de tapete, como excluir o profissional de um projeto sem maiores explicações e impedi-lo de exibir seu trabalho ou fazer com que ele não tenha acesso aos níveis superiores. Um sintoma desse tipo de atitude é a exclusão. Marginalizar um subordinado é uma das armas tradicionais dos chefes.
“Essa é uma das situações mais usadas para que o profissional se sinta fragilizado e peça demissão ou transferência”, diz Marshal Raffa, gerente da Ricardo Xavier, empresa de recrutamento, de São Paulo. “Lidar com uma situação dessas não é fácil, mas a melhor solução é agir com calma e tentar entender o motivo do gestor, perguntando, em tom de conciliação, o que acontece”, diz Marshal. Para evitar logo de início ser vítima de uma puxada de tapete é importante se impor de forma natural, sem arrogância, mas deixando claros seus valores.
Acima de tudo, evite entrar no jogo desleal, principalmente quando for provocado ou agredido. “Não diga sim para tudo, imponha limites morais e éticos”, diz Bernardo. A seguir, confira como resolver cada um dos conflitos apontados na pesquisa.
Renato Vasconcelos de Souza
34 anos, supervisor administrativo da Universal Music Brasil
Em 2007, o executivo Renato Vasconcelos de Souza, da Universal Music Brasil, de São Paulo, trabalhava em outra companhia e estava sendo preparado para assumir um cargo de gerente.
“Existiam diversas promessas de que eu seria promovido.” Quando seu chefe saiu, no entanto, outro profissional substituiu Renato. Para seu lugar, enviaram um engenheiro da matriz da empresa, um profissional sem experiência na área.
“Ficamos colegas mesmo assim, e os diretores pediram que eu ensinasse tudo o que sabia a ele.” Cinco meses depois, ele demitiu Renato conjuntamente com 11 pessoas da equipe.
Verdades sobre a traição
Análise de Rafael Souto, Ceo da Produtive e Autor do estudo
1 Expectativa de mérito
As pessoas têm sempre expectativa de viver numa meritocracia. Quando isso não acontece e preferências pessoais ou políticas predominam, tem-se a sensação de puxada de tapete.
2 O profissional tem o poder
Durante muitos anos a escassez de empregos fez as pessoas se sujeitarem a condições consideradas injustas. Agora, os profissionais estão menos tolerantes a injustiças e tentarão mudar de emprego se tiverem a oportunidade. Mas é importante não ser ingênuo: não existem empresas perfeitas.
3 Política existe, aceite
Achar que tudo é meritocracia é estar fora da realidade, pois todos sabemos que as organizações, como a vida em geral, segue necessariamente motivações políticas. É importante ser tolerante com certos aspectos que não são eminentemente técnicos.
4 Avalie o cenário, mas rejeite o excesso
Avalie se a má politicagem faz parte da cultura da empresa ou se seu caso foi uma ação desleal isolada de um indivíduo. Se uma pessoa reclama, pode ser um problema particular. Se dez pessoas reclamam, a organização tem um problema. É preciso avaliar um conjunto de questões para concluir se a companhia é boa, mas evite os lugares que exageram na politicagem.
Como se defender
Especialistas dão dicas para você se livrar das ciladas do mundo corporativo A empresa em que você trabalha é comprada por outra, que usa suas informações para conhecer o negócio. Algum tempo depois, você é demitido
Algumas atitudes podem evitar a demissão, tais como manter a pontualidade no dia a dia, não se atrasar para reuniões e cumprir prazos em projetos. Se apresentar sempre de forma positiva e confiante. Manter a boa imagem profissional. Mostrar equilíbrio e liderança. Ser proativo em suas atividades, metas e, principalmente, vender suas ideias em reuniões de forma clara e convicta.
Apresente-se para seu novo gestor como profissional (histórico, experiências, passagens por outras companhias) e, o mais importante: não seja bajulador e não acredite em tudo que transita na rádio-peão, pois em momentos de mudanças o que não falta são informações desprovidas de fontes. Portanto, seja você mesmo e siga seu instinto.
Roseli Faria
43 anos, psicóloga com MBA em gestão empresarial. Atua na área de RH
A psicóloga e consultora Roseli Faria, de São Paulo, trabalhou por sete anos em uma companhia de listas telefônicas como coordenadora de treinamento.
Quando houve uma fusão, sua chefe, sentindo-se ameaçada, começou a isolar Roseli, afastando-a de projetos e de decisões.
“Marquei uma reunião com ela de feedback, mas o único argumento que ouvi era de que as coisas estavam mudando. Pouco mais de um ano depois, ela me chamou para uma conversa e me demitiu.”
Um colega apresenta para a chefia uma ideia sua como se fosse dele. 
Sente-se com ele e mostre, por meio de números e planilhas, se necessário, que você está ficando chateado com a situação e gostaria que ele dividisse mais suas ideias. Assim, vocês dois poderiam evitar esse tipo de situação e se tornariam aliados. “Outra sugestão é explorar suas ideias com o gestor, de preferência em reuniões, evitando assim vazamento das informações e roubo de suas ideias”, diz Marshal Raffa, da Ricardo Xavier.
Você faz todo o trabalho e seu chefe não lhe dá crédito pelo resultado. 
Pare e reflita: isso acontece só com você ou com outras pessoas também? Se é apenas com você, tem de conversar com o chefe. De maneira aberta e direta, discuta sua contribuição individual em relação aos resultados da área. Se possível, atrele a conversa a seu plano de desenvolvimento pessoal e busque apoio do RH. “Isso faz a chefia comprometer-se com o assunto”, diz Fernando Monteiro da Costa, diretor da Human Brasil, consultoria de RH de São Paulo.
Descobriu que um colega está falando mal de você? 
Analise com calma a situação e indague pessoalmente, em tom de conciliação, o suposto detrator. Verifique se há mal-entendidos. Se a conversa não for suficiente,procure também o gestor. Com o chefe, seja claro e direto, citando dados, fatos e exemplos para ilustrar o quanto o comportamento da pessoa prejudica seu trabalho.
Você é excluído de um projeto sem justificativa. 
Pergunte ao chefe o motivo de sua exclusão. Deixe claro que sua intenção é continuar fazendo parte do time nos próximos projetos. Mas tenha em mente que podem existir muitas razões para a exclusão. “Pode ser que sua participação no projeto não seja tão vital quanto você imaginava no princípio”, diz Fernando, da Human Brasil.
Reinaldo Morelli
31 anos, consultor de sistema integrado de gestão da qualidade Iso 9001
O consultor de qualidade Reinaldo Morelli, do Rio de Janeiro, foi prestar um serviço, em uma empresa de exportação, que consistia na organização de funções para atender às exigências da norma ISO 9001.
O projeto causou boa impressão na gerente de qualidade, que acabou contratando Reinaldo como funcionário. Ao começar a trabalhar na companhia, Reinaldo percebeu que a nova chefe era a pessoa reconhecida como a autora do projeto. “Ela não disse que eu fui o responsável, ficando com todos os méritos”, diz o consultor.
Você faz o possível para resolver os problemas ao lado do chefe. Mas, na hora em que a empresa cobra a solução, ele coloca a responsabilidade na equipe, sem assumir a parte dele como líder. 
Um líder de verdade assume suas responsabilidades, delega e cobra resultados. Ele divide com a equipe os louros das conquistas e assume as responsabilidades como gestor nas dificuldades. Numa reunião de grupo, caso ele se posicione contra a performance da equipe, procure se posicionar diante de seus colegas, demonstrando que a sua parte está sendo cumprida como integrante da equipe. E, havendo oportunidade de contato com representantes da matriz, apresente seus resultados e contribuição oferecida para o sucesso da equipe e dos negócios.
Você é demitido para dar lugar a um amigo do chefe. 
Normalmente, a vítima desse golpe só o percebe quando já foi demitida. Há pouco o que fazer para reparar ou defender-se da injustiça. Melhor é estar preparado para superar a perda do emprego. “A demissão faz parte da carreira e todo profissional, se não passou por isso, precisa estar estruturado emocionalmente e também financeiramente para isso”, diz Marshal, da Ricardo Xavier. No momento do desligamento, cobre do chefe e do RH uma explicação acerca do motivo de sua demissão. Verifique se não há a possibilidade de transferência dentro da companhia.
Você está se sentindo carregando o piano, e outra pessoa, que é mais amiga do chefe, é promovida. 
Cuidado: essa visão de que você está carregando o piano pode ser sua, e não da empresa. Lembre-se de que hoje todo mundo trabalha bastante, então sua queixa pode não ser uma exclusividade. A companhia pode ter motivos para considerar o outro mais preparado do que você. A saída é buscar entender a escolha do gestor com base em informações e evidências concretas, para você buscar desenvolvimento e agarrar a próxima oportunidade.
Fonte: Você s/a

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