Empresa investe em papel sulfite feito com bagaço de cana


Empresa que produz papel sulfite a partir do bagaço de cana prevê um salto nas vendas no mercado doméstico dos atuais 8% para 25% até o fim de 2013. Após consolidar a sua posição no mercado corporativo, a GCE Papéis está de olho nas compras feitas pelas famílias brasileiras.

Segundo um dos idealizadores do produto e diretor da GCE Papéis, Luiz Machado, por ser mais sustentável, o papel fabricado a partir do bagaço de cana tem boa aceitação em empresas, principalmente aquelas preocupadas com as boas práticas ambientais ou interessadas em obter o ISO. De 2009 para cá, o crescimento da empresa foi de 200%, resultado atingido basicamente com as vendas ao mercado corporativo. O desafio agora é conquistar o consumidor doméstico.
Na avaliação de Machado, a desinformação do consumidor sobre o produto ainda é elevada. Ele diz que o preço médio é mais ou menos o mesmo do papel branco, mas as pessoas costumam achar que, por ser feito de material reciclado (bagaço de cana-de-açúcar), o papel pode não ter a mesma qualidade ou, se tem, deve terum custo menor do que o tradicional.
“Esse consumidor precisa entender que, para chegar ao produto, foram feitos investimentos em tecnologia e no processo de produção.” Tem aqueles ainda, segundo Machado, que pensam se tratar de um produto amador ou artesanal. Longe disso. As duas fábricas da empresa produzem juntas cerca de um milhão de toneladas de papel de bagaço de cana por mês.
Machado aposta na mudança de hábitos do consumidor nos próximos anos. “Nossa tarefa será mostrar ao público que o bagaço de cana é apenas uma matéria-prima alternativa”, afirma. Ele diz que o papel produzido a partir do bagaço tem a mesma qualidade do branco comum com a vantagem de não necessitar a adição de produtos químicos ou o consumo de tanta água quanto os reciclados pardos. “É tão parecido com o papel branco comum que já tivemos clientes que pediram laudo do IPT para ter certeza de que era feito a partir do bagaço de cana”, afirma.
O processo de fabricação é praticamente o mesmo de papel comum. O que muda é a extração da celulose, que vem do bagaço da cana-de-açúcar. Para produzir uma tonelada de papel são necessárias cerca de 23 árvores de eucaliptos ou 2,5 toneladas de bagaço de cana. O processo de produção evita o corte de árvores e o descarte de resíduos. Apenas um terço do bagaço de cana-de-açúcar produzido no País é reutilizado e, geralmente, é usado para produção de ração animal ou energia, por meio da incineração, explica Machado. Os outros dois terços vão para aterros. “Não estamos gerando resíduos, sim aproveitando aquilo que já seria produzido pela indústria sucroalcoleira.”
Fonte: Sabrina Bevilacqua

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