O mercado financeiro e o seu almoço


SECA NOS EUA AFETA OS CONTRATOS DE ALIMENTOS EM TODO O MUNDO E A CONTA VAI PARAR NO PRATO

Sede da Chicago Board of Trade
São Paulo – A pior seca que o meio oeste americano já viu desde 1936 criou uma avalanche de aumentos nos preços do milho, soja e trigo na bolsa de Chicago, referência para a negociação desse tipo de commodity no mundo. E, por tabela, tudo que depende desses grãos foi afetado. A lista é enorme: carne bovina, suína, frango, industrializados, enfim, quase tudo que vai ao prato do brasileiro sofre com essa situação.
“As oscilações nos preços dos grãos são inerentes aos negócios dos produtores de proteína. Em geral, a longo prazo, os aumentos de custos são repassados ao consumidor final, os volumes de vendas são ajustados e a rentabilidade dos produtores de proteína retorna aos patamares usuais”, resume a agência de classificação de risco Fitch Ratings, que rebaixou a perspectiva das notas das brasileiras JBS, Marfrig e Brasil Foods na sexta-feira por conta dos efeitos da seca.
O repasse ao consumidor já pode ser notado no IPCA(Índice Nacional de Preços – Amplo), principal referência de inflação do país. O índice acelerou em julho para 0,43%, a maior variação mensal desde abril. De acordo com o IBGE, os principais responsáveis pelo resultado foram os grupos Despesas pessoais e Alimentação e bebidas. Pelo peso que possuem no orçamento das famílias, os alimentos foram responsáveis por 49% da inflação no mês.
A importância dos alimentos na inflação pode ser vista na comparação da variação do IPCA geral com o índice do grupo de alimentação e bebidas. Enquanto, o primeiro teve um aumento de 5,20%, o segundo chegou a 8,67%.
Alta
As commodities mais afetadas – milho, soja e trigo – têm subido de preço desde o meio de junho em Chicago. O milho, que teve a colheita mais prejudicada, chegou a subir 20% em julho e acumula alta de 11,8% nos últimos 12 meses. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) estima que a produção de milho do país, que é o maior produtor e exportador do grão, recue 13% e chegue ao menor nível em 6 anos.
A disparada também foi sentida na BM&FBovespa. A quantidade de contratos negociados de milho decolou nos últimos 12 meses e aumentou 141,5%. Só em julho, o preço avançou 43,3%, passando de 24,50 reais a saca com 60 kg, para 35,11 reais. Foram quase 800 milhões de dólares negociados apenas no mês de julho, 104% a mais do que o visto no ano anterior.
Nesta terça-feira os preços da soja e do milho bateram novos recordes. Os contratos de soja para entrega em novembro chegaram à máxima histórica de 636,58 dólares a tonelada no fechamento. Os contratos de milho também chegaram aos seus recordes, com o contrato para entrega em dezembro fechando a 8,3875 dólares por bushel (25kg).
Com a soja a variação é mais modesta, mas ainda assim significante. O preço da saca de 60 kg, hoje a 40,25 reais, aumentou cerca de 30% no último ano, com um crescimento de 53,4% no volume financeiro negociado. Só em julho deste ano foram 111,915 milhões de dólares.
Carnes
A seca nos EUA fará com que a oferta global de milho seja criticamente pequena para o próximo ano, o que também irá afetar os preços das carnes bovinas, suínas e de aves. Isto acontece porque o milho afetado é o utilizado para pecuária e biocombustíveis, e não o milho doce, para consumo humano.
No início do mês, representantes do setor de frangos, suínos e óleos foram ao secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, pedir ajuda para enfrentar a alta dos preços. Segundo Ricardo Santin, diretor de Mercado da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango, a tonelada da soja custava, no início do ano, 650 reais e agora custa 1,3 mil reais. A saca do milho deveria estar entre 23 e 26 reais, mas já chega a 35 reais em algumas regiões. De acordo com ele, a produção pode ficar até 30% mais cara.
A alta nos preços dos grãos afetará as produções de carnes de diferentes formas. Os preços do frango e do porco são diretamente afetados pelos preços dos grãos, porque representam um percentual significativo dos custos para a criação dos animais.
Os preços do frango, de imediato, devem ser os mais impactados. Já os preços do porco, a curto prazo, devem diminuir visto que os produtores, para evitar os custos mais altos com alimentação, abatem os animais mais cedo. Os preços da carne bovina serão os menos afetados, uma vez que a carne brasileira vem de gado alimentado em pastagens.
Impacto nas empresas

Brasil Foods

Brasil Foods (BRFS3) reajustará imediatamente o preço de produtos para compensar o aumento de custos, especialmente a alta nos grãos que servem de ração para os animais, disse o presidente da empresa em teleconferência para detalhar os resultados do segundo trimestre.

“Estamos falando de aumentos entre 5 e 10%, com a visão que se tem hoje (de custos). E isto é imediatamente, até o final do ano, a ver”, afirmou José Antonio Fay.
A empresa teve queda de 99% no lucro líquido no período, para 6 milhões de reais, por influência importante dos preços de grãos. “Neste trimestre vimos um aumento dos custos de grãos em velocidade nunca vista. Isso faz com que a velocidade de repasse também tenha que ser muito grande”, disse Fay.
O aumento dos preços (principalmente do farelo de soja) e outros insumos como mão de obra e embalagens levou a margem bruta a cair 3% em relação ao ano passado, ficando em 21,8%. Apesar do resultado abaixo do esperado e do potencial da empresa, Lika Takahashi, analista da corretora Fator reitera a recomendação de compra para as ações da Brasil Foods, visto que acredita ser conjuntural a pressão na margem bruta.
O vice-presidente de finanças da Brasil Foods, Leopoldo Saboya, observa que o repasse de preços já começou no mercado interno. A medida é vista como necessária para recuperar as margens da companhia, após a pressão de custos do último trimestre. “O fato é que estamos com despesas maiores, num momento em que a gente prepara a companhia (para crescer)… A companhia está, desde o começo do ano, com um plano de redução de despesas muito forte”, disse Saboya.
Para Henrique Koch, analista do BB Investimentos, o cenário de custos pressionados deve se manter pelos próximos meses. “Acreditamos que nesse período os estoques globais de aves devam mostrar sinais de arrefecimento, contribuindo para o crescimento das exportações com recuperação de margens, ainda que de forma lenda”, escreveu em relatório da corretora sobre os resultados da Brasil Foods.
Confiando na recuperação da empresa, Daniela Bretthauer, da corretora americana Raymond James, acha que o momento é bom para a compra dos papéis da Brasil Foods. “Nós acreditamos que a companhia permanece atraente no longo prazo e recomendamos tirar proveito de qualquer enfraquecimento no preço das ações”, diz Daniela.
Marfrig
Marfrig (MRFG3), uma das maiores empresas globais de alimentos à base de carnes bovina, suína, de aves e peixes e dona da marca Seara, teve lucro líquido de 15,5 milhões de reais no segundo trimestre, revertendo um prejuízo de 91 milhões de reais um ano antes.
A valorização da relação real sobre o dólar, o baixo estoque mundial de carne bovina e o ciclo do gado favorável no Brasil impulsionando as exportações, e o aumento das vendas de produtos de alto valor agregado foram responsáveis por aumentar as vendas da Marfrig – a receita da empresa aumentou 9,3% em termos anuais.
Apesar da melhora nos resultados do segundo trimestre, a empresa prevê um terceiro trimestre mais desafiador por conta da alta no preço dos grãos e já começou a elevar os preços de seus produtos para compensar o aumento dos custos, mas considera que o impacto no desempenho da empresa deve ser moderado.
“No caso da Marfrig, temos dois temas importantes: ainda estamos em processo de capturar sinergias, com as despesas e gastos comerciais diminuindo. E a segunda questão é portfólio (de produtos), que tem bovinos, carne de frango e suínos”, disse Ricardo Florence, diretor de Relações com Investidores do Marfrig, em entrevista à Reuters. A operação de bovinos é menos impactada pela alta dos grãos do que as operações com carne de aves e suínas, produtos cujos custos estão relacionados aos preços do farelo de soja e do milho, que estão em níveis recordes.
Segundo Luiz Cesta, da corretora Votorantim, o impacto moderado da elevação do preço do milho no segundo trimestre pode ser maior e empurrar as margens para maior nos próximos meses. “Por outro lado, o custo da carne bovina brasileira provavelmente continuará em uma tendência favorável (-21,9% em termos anuais), com uma representatividade de produtos de alto valor agregado, combinada com o nível da taxa de câmbio, o que pode compensar parcialmente essa pressão”, explica Luiz.
A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating da empresa por conta da alta alavancagem e citou que a integração dos ativos e a alta nos preços de grãos podem levar a empresa a maiores necessidades de capital de giro.

JBS

O resultado da JBS (JBSS3), gigante do setor de carnes com a Friboi e com a americana Pilgrim’s, no segundo trimestre de 2012 foi acima das expectativas do mercado, com a receita líquida atingindo 18,5 bilhões de reais no período, 26,3% superior ao mesmo período de 2011.

Segundo Henrique Koch, do BB Investimentos, enquanto as operações no Brasil se beneficiaram com a maior disponibilidade de gado, os elevados preços dos grãos começaram a pressionar os custos das divisões de aves e suínos.
A unidade de frango nos EUA (Pilgrim’s Pride) teve resultados positivos com a melhora dos preços no mercado local, porém deverá sentir matérias-primas mais caras, principalmente a partir do quarto trimestre.
A empresa pretende implementar um aumento de preços na unidade como forma de manutenção de margem operacional. Para Pedro Herrera, do HSBC, o cenário para a divisão de carne bovina dos EUA será essencial para os resultados da empresa no segundo semestre.
Minerva
Já a Minerva (BEEF3), um dos líderes na produção e comercialização de carne bovina e derivados na América do Sul, levará vantagem com o aumento dos preços dos grãos.
“A pressão dos grãos afetará os preços das proteínas concorrentes, beneficiando a produção de carne bovina da América do Sul, que não é exclusivamente dependente de grãos”, afirmou o presidente da companhia Fernando Galletti de Queiroz em teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre.
Segundo o analista William Castro Alves, da XP Investimentos, o preço dos grãos (em especial milho e soja) afetará diretamente o preço das carnes suínas e de aves, o que dará espaço para o aumento da demanda por carne bovina.
No trimestre, a empresa teve receita líquida de 1,077 bilhão de reais – crescimento de 14,6%. O Ebitda registrou crescimento de 41,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a 112,7 milhões de reais.

M. Dias Branco 

Para a M. Dias Branco (MDIA3), líder nacional na fabricação e venda de biscoitos e massas alimentícias e dona da marca Adria, o impacto dos preços do trigo que chegaram patamares recordes em relação aos últimos 6 anos vai ser repassado aos preços dos produtos finais. O trigo e a farinha adquirida de terceiros, representaram 57,3% do custo de matérias-primas da empresa no 2º trimestre deste ano.

“Diante da representatividade e importância do trigo e farinha na estrutura de custos da M. Dias Branco, é importante ressaltar que a Companhia possui um modelo de negócios que lhe possibilita obter pouca variação nos patamares de margem bruta”, disse a empresa em seu relatório de divulgação de seus resultados trimestrais.
A Fator Corretora confia na habilidade da empresa em lidar com a oscilação dos custos. “Ressaltamos, como já ocorrido em situações anteriores, a capacidade de adequação da empresa a tais perspectivas, seja através de utilização de estoques e postergação na aquisição da matéria-prima no curto prazo, ou repasse de preços ao consumidor como forma de preservação de margem bruta”, explica Lika Takahashi, em relatório.
Fonte: Beatriz Souza

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